domingo, 12 de julho de 2009

A música que embalava os sonhos

Só restam lembranças daquela noite fria, em que uma música de amor embalava os sonhos. Houve uma discussão com seu amado e ele partiu. Ficou apenas uma corriqueira história de uma família urbana. Aonde existem tantas outras iguais.
Sentia sua falta, algumas vezes de olhos abertos chorava.
Algumas vezes embalada pela melodia envolvente, mais que a batida. Quando sentia falta do seu amor suas pulsações aumentavam.
Isso confirma que a vida é tão simples, apesar do ser humano complicar tudo.
Estar vivo já é muito bom. Mas nossas mãos desejam tocar mais. É um bom sinal, existe alguém.
Alguém que se encontrava ali tão próximo que se embalava pela melodia dos ventos.
Seria ele mesmo? O bom sinal talvez já não fosse mais bem vindo, havia dificuldades.
Neste momento, nos desenhos da sua mente só existia angústia e dor.
Pelo menos existia uma história para ser contada, o que já era muito bom.
Respirou fundo e deu a si mesmo as condolências. Nas suas hesitações, havia como companhia a certeza de que aquele amor não mais existia.
Aquele amor, fiel e presente durante muito tempo na sua vida, não mais fazia parte do seu cenário, estava angustiada.
Estava abatida, tirou a sua roupagem e percebeu que estava nua diante de si. Descalçou-se e sem pensar como se fosse um caminho saiu sem direção. Encontrou um ar gelado. No seu rosto pareciam cair pequenas gotas de orvalho, depois sentia seus pés tocar o chão e nesta hora percebeu que poderia haver o perdão e viver novamente intensamente.
Como se ele já não fosse o mesmo, aquele observador de si mesmo já era passado.
Não queria mais estar embalando a melodia triste de sua vida.
Apenas havia uma folha em branca que precisava ser escrita novamente e passar a limpo tudo que não queria mais viver. Era hora de liberdade e arrancava de dentro de si aquela noite fria. Já era hora de partir.
Enquanto arrancava com seu carro, esperava a próxima curva que ainda estava distante, mas acelerava, só podia acelerar e sentir o vento veloz nos seus cabelos como se fosse o adeus.
Afinal agora quem sou eu? No reflexo o seu rosto aguardava o perdão.
Pediu-lhe desculpa, mas tinha que o deixar partir. Havia uma nova música para ser embalada. Era sempre estranho aguardar algo que não vem. Era mais que um vazio, existiam coisas que não conseguia totalmente compreender. Ou não as queria mais. São as lembranças, os sorrisos o olhar de quem partiu.
Eu não queria ser eu nesse momento. Eu não queria carregar as memórias dos sonhos, de uma história que acabou.
Preciso de um destino, de um portal azul com flores na entrada. Quero envelhecer tendo a minha história de amor, como a vida simplesmente se apresenta...